domingo, março 11, 2007

Saudade



Vontade louca de saber de ter de ver?
Medo, insegurança, incerteza?
Desejo de voltar?

Saudade do olhar, saudade do tocar, saudade de te saborear...
Tudo agora é saudade,
saudade das doces palavras, com que pedias muito de mim,
saudade do sorriso,
Sim tu, tu que conheces o meu olhar, tu que conheces o meu jeito,
sim é por ti que a minha saudade grita, é por ti que a minha saudade chora.
Chegou a hora de viver de saudade,
tenho saudade de ouvir a tua voz de
sono embriagada dizer:" Gosto de ti fofinha"
... ... ... ...

Num deserto sem água,
numa noite sem lua,
numa terra nua,
por maior que seja o desespero,
nenhuma ausência é mais profunda que a tua!
Sophia de Mello Breyner Andresen

Cancioneiro


Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

Fernando Pessoa