quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Vejo

Vejo um mar de infinitos tesouros.
Onde se escondem?
Vejo num farol a luz,
que dá vida, aos que vivem do mar,
que dá esperança aos perdidos.
Há se o farol pudésse falar...
ele guarda a vida, os segredos dos que por lá passam,
as ilusões, as desilusões, as esperanças.
Conversa á noite com a lua
toca com os cabelos as estrelas.
Alegra-nos quando estamos tristes,
ilumina as fantasias, dos delirios da ILHA DO FAROL.
Saraswati

Cheiro


Verde de letal perdição.
Sinto o cheiro amargo do amor, do ódio, do oculto luto de um copo de absinto,
que me leva ao mais fundo dos infernos, e me eleva mais alto que a alma humana,
mais alto que os deuses.
Sinto-me embriagar de sonhos, de desejos, de mágoas, de fantasias do sagarado ao mais profano.
Leva-me para u mundo onde o bem e o mal não existem,
onde viajo no meu Wundo para lado nenhum.
Saraswati

Saboreio

"... Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. ..."


Álvaro de Campos , in "Tabaqueira"

Ouço

Bladin, Bladin, Bladin, Bladin,
Sangra por mim bladin, bladin,bladin,bladin,bladin, não posso esperar por outro dia----Amo-te.
O sol esconde-se por detrás da janela do ponto mais alto----- da montanha, bladin, bladin, bladin, sangra por mim mas vive.
Bladin, bladin, bladin, sangra por mim.
Estou só já não há ninguém, por detrás da janela do ponto mais alto da montanha, Bladin, Amo-te.
Oiço, oiço sinos, Baldin Amo-te, não posso esperar por outro dia, oiço sinos bladin dizem que tu moreste, estou só, tens que dizer o quanto gostas de mim, o quanto gostas de mim, bladin, bladin, bladin.
Não posso esperar por outro diiiiaa, procurarei uma pequena árvore onde sentirei a tua mão, bladin.

Pop Dell'Arte , Bladin

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Toco


Como progride o tacto, a textura, o olhar? O cheiro também toca. Todos os toques são sentidos? Será que o mundo ainda me toca?
O movimento: toque de infinitos toques. Milésimo de toque que só se passa aqui porque é este o espaço e este tempo que tocamos. A velocidade do toque…
Que sequência de toques a que culmina no beijo. Se soubesses como é bom tocar-te
!
Excerto de uma peça de teatro